Porto Rico, uma ilha no Caribe com 8,9 mil quilômetros quadrados, é terra natal do famoso cantor Bad Bunny e possui uma situação política intrigante. Com uma extensão territorial semelhante a um Distrito Federal e meio, Porto Rico abriga cerca de 3,2 milhões de habitantes e é um território dos Estados Unidos, ainda que mantenha um forte vínculo com a cultura latino-americana e o idioma espanhol predominante.
Nesta ilha, os porto-riquenhos desfrutam de livre trânsito nos EUA, podendo eleger seu próprio governador, mas vivem sob um status ambíguo. Apesar de serem cidadãos americanos, eles não têm o direito de votar nas eleições presidenciais dos EUA e não possuem representantes com direito a voto no Congresso.
Por que Porto Rico não é um estado dos EUA?
Mesmo que os habitantes de Porto Rico sejam cidadãos americanos, a ilha não é considerada um estado americano. Isso significa que, apesar de os porto-riquenhos pagarem impostos e servirem nas Forças Armadas dos EUA, eles não têm todas as vantagens e representações políticas que outros estados americanos possuem. Porto Rico é, de fato, um território autônomo, mas ainda está submetido a diversas leis federais dos Estados Unidos, o que gera um debate contínuo sobre sua verdadeira natureza política.
Porto Rico é uma colônia dos EUA?
Especialistas e movimentos políticos discutem se Porto Rico pode ser classificado como uma "colônia" dos Estados Unidos. Embora oficialmente seja um "Estado Livre Associado", muitos argumentam que esta designação não reflete a realidade de um território totalmente independente. A ONU, entretanto, considera a autonomia administrativa como um impedimento para classificar Porto Rico como uma colônia clássica. Segundo Gustavo Menon, professor de relações internacionais, a ilha ainda está subordinada a Washington, mesmo com algum nível de autonomia administrativa.
Localização de Porto Rico no mapa das Américas - Arte EBC
Como Bad Bunny destaca a identidade porto-riquenha?
Recentemente, durante o show do intervalo do Super Bowl nos EUA, Bad Bunny fez referência à cultura latino-americana dos imigrantes. Em sua apresentação, o cantor utilizou o slogan "Deus abençoe a América" para incluir todos os países latino-americanos, em um protesto simbólico contra as políticas anti-imigração do ex-presidente Donald Trump. Bad Bunny é conhecido por utilizar sua música e presença de palco como uma plataforma para defender a identidade porto-riquenha e expor as tensões coloniais subjacentes à relação com os EUA.
O que diferencia Porto Rico do Havaí?
Ao contrário de Porto Rico, Havaí foi incorporado como um estado americano, o que, segundo Bad Bunny em sua música, causou a perda da identidade indígena do local. O cantor expressa preocupação sobre a possibilidade de Porto Rico enfrentar um destino semelhante, caso também se torne um estado dos EUA, pedindo que os porto-riquenhos mantenham suas tradições culturais intactas.
Quais mudanças ocorreram na relação EUA-Porto Rico?
A relação entre os EUA e Porto Rico intensificou-se após a guerra hispano-americana de 1898, quando a ilha, então uma colônia espanhola, foi cedida aos Estados Unidos. Posteriormente, em 1952, Porto Rico tornou-se um "Estado Livre Associado", ganhando maior autonomia. No entanto, este status não conferiu plena soberania à ilha, mantendo a supremacia do governo dos EUA em várias áreas como defesa e relações internacionais.
Qual é a posição da ONU sobre Porto Rico?
A ONU não classifica Porto Rico como um "Território Não Autônomo", mas o Comitê Especial sobre Descolonização reconhece a situação da ilha como "caso de situação colonial" devido à predominância das normas legislativas americanas. O estabelecimento do governo constitucional porto-riquenho nos anos 50 não alterou substancialmente a autoridade dos EUA sobre o território, como destacado em relatos da ONU.
O que dizem os referendos sobre o futuro de Porto Rico?
Desde 1967, Porto Rico realizou sete referendos para consultar sua população sobre o status político da ilha. Em 2024, 58% dos votantes preferiram que Porto Rico se tornasse um estado americano. No entanto, apesar dos resultados, esses referendos são apenas consultivos e não vinculativos, carecendo de influência real nas decisões do Congresso dos EUA sobre o destino político de Porto Rico.
Com informações da Agência Brasil