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Mundo

Ataque ao Irã pode travar negociações nucleares

Em um cenário delicado de tensões geopolíticas, o recente ataque de Israel e Estados Unidos ao Irã coloca um ponto de interrogação sobre o futuro das negociações do programa nuclear iraniano. O professor de Geopolítica, João Alfredo Nyegray, da PUC do Par

28/02/2026

28/02/2026

Em um cenário delicado de tensões geopolíticas, o recente ataque de Israel e Estados Unidos ao Irã coloca um ponto de interrogação sobre o futuro das negociações do programa nuclear iraniano. O professor de Geopolítica, João Alfredo Nyegray, da PUC do Paraná, destaca que essa ação pode ser um divisor de águas nas conversas já tensas. Para Nyegray, a exigência norte-americana de uma pausa total no enriquecimento de urânio foi uma jogada estratégica, sabendo-se da inviabilidade de aceitação por parte do Irã.

"É a pausa total do enriquecimento do urânio. Os Estados Unidos diziam não tolerar que o Irã tivesse nenhum tipo de enriquecimento de urânio. Então isso é uma coisa que certamente os Estados Unidos sabiam que estavam pedindo demais, justamente para conseguir justificar um ataque posterior. E é por isso que eu acho que essas negociações agora, elas vão cessar."

O que realmente motivou os Estados Unidos?

Na análise do professor Roberto Menezes, da UnB, os ataques demonstram a falta de interesse do governo de Donald Trump em manter um diálogo aberto com o Irã. Como Menezes explica, as negociações estavam em um marasmo estratégico há meses, sem esforços reais de ambos os lados para reviver um acordo nuclear que fosse aceitável.

"O governo Trump já tinha interrompido as negociações com o Irã já... já tem alguns meses, e o contato, né, estava de certa forma num perfil baixo entre Irã e Estados Unidos. Não tinha um grupo, de fato, trabalhando, sistematicamente, na formulação de um novo acordo nuclear por parte do Irã e aceitável pelos Estados Unidos, ou melhor dizendo, nos termos em que os Estados Unidos queriam."

Como o ataque impacta a política interna do Irã?

O professor Robson Valdes, do IDP, aponta que a recente investida militar enfraqueceu os setores dentro do Irã que ainda apostavam na negociação diplomática. Para Valdes, a retórica mais beligerante ganha força, prejudicando qualquer capacidade de concessões no curto prazo.

"O próprio ministro das Relações Exteriores e o próprio presidente iraniano, que lançaram mão dessa frente diplomática para tentar um acordo diplomático, tá, eles acabam de uma certa forma sendo enfraquecidos por uma corrente mais pragmática, que apostam agora, né, que saem fortalecidos por tentarem, por promoverem uma reação mais dura, né? E isso, ele acaba reduzindo o espaço político para concessões."

Qual o papel de Omã nas negociações?

As conversas estavam sob a mediação do governo de Omã, um conhecido facilitador de diálogo entre o Irã e o Ocidente. Após os bombardeios, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, expressou consternação, lamentando que esforços sérios de negociação fossem uma vez mais minados.

Em suas redes sociais, Albusaidi salientou que nem os interesses dos Estados Unidos, nem a causa da paz mundial, foram servidos por este ataque. Ele fez um apelo para que Washington não se envolva mais profundamente, alertando que "esta não é sua guerra".



Com informações da Agência Brasil

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