O cenário internacional está mais tenso do que nunca com a investida dos Estados Unidos e Israel contra o regime iraniano. Esse movimento, que mistura interesses políticos e econômicos, levanta questionamentos sobre as verdadeiras motivações por trás. Especialistas em Relações Internacionais compartilham suas percepções sobre essa complexa trama geopolítica.
Roberto Menezes, pesquisador do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos e professor da Universidade de Brasília (UnB), observa que, desde a invasão em Gaza, Israel busca acirrar os ânimos com o Irã. A postura do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que antes hesitava em alvos além das instalações nucleares, parece agora mais assertiva em seus objetivos.
"Mas, desta vez, o governo Trump aceitou o apoio de Israel para atacar o regime iraniano. Trump, sem dúvida nenhuma, tem como objetivo principal a derrubada e a mudança de poder político no Irã".
Como o Irã encara esse desafio?
Para o Irã, esse pode ser o momento crucial de mostrar sua resiliência e capacidade militar. A incerteza recai sobre se o Irã está preparado para usar todo seu arsenal e tomar decisões firmes neste conflito.
"De certa forma, é uma espécie de uma hora da verdade para o Irã, para saber se o Irã de fato tem os armamentos e se vai ter uma decisão de utilizá-los nesse conflito".
Sob um olhar crítico, essa postura americana e israelense também busca fortalecer sua influência na região, como aponta Robson Valdez, professor de Relações Internacionais do IDP. Ele destaca a importância desse movimento no jogo de poder global.
"A retórica incentivando a população iraniana a se insurgir contra os seus governantes sugere, também, um compromisso tanto de Israel quanto dos Estados Unidos, uma pressão para uma mudança de regime".
Por que o petróleo continua a ser um elemento-chave?
Não se pode deixar de lado o fator econômico, principalmente o petróleo. João Alfredo Niegray, professor de Geopolítica da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, aponta um interesse estratégico dos Estados Unidos em controlar os maiores produtores globais de commodities energéticas.
"Eu enxergo esses movimentos como parte de uma agenda um pouco maior para que os Estados Unidos acabem tendo o controle dos maiores produtores globais de commodities energéticas para dificultar o acesso da China".
Qual seria a resposta iraniana?
Uma possível resposta do Irã, que traria implicações globais severas, seria fechar o Estreito de Ormuz, um ponto vital por onde passa um quinto do petróleo mundial, conforme analisa Valdez.
"Traz um impacto muito grande para toda a economia mundial no curto e médio prazo. Outro impacto imediato é a instabilidade militar".
Está tudo caminhando para uma escalada do conflito?
Os bombardeios iranianos a bases americanas em países vizinhos estão provocando inquietação. Segundo João Niegray, essas nações estão mais alinhadas aos Estados Unidos e precisam escolher entre uma resposta conjunta ou pressionar por pacificação.
"Esses países atacados hoje são muito mais aliados aos Estados Unidos. Então, ou eles respondem de maneira conjunta, ou eles vão pressionar os Estados Unidos e Israel para a pacificação na região".
Em meio a esse jogo de poder, os Estados Unidos e Israel justificam seus ataques como uma questão de segurança, enquanto o Irã mantém que suas ações são puramente defensivas até que as agressões cessem. Ouça mais sobre a posição da ONU e a segurança internacional.
Com informações da Agência Brasil