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Derrubar Irã busca deter China e projetar Israel, dizem analistas

Israel e Estados Unidos voltam a atacar Irã: a segunda agressão contra Teerã num intervalo de oito meses parece visar não apenas a troca de regime no Irã, mas também conter a influência chinesa na região, consolidando a posição política e militar de Israe

01/03/2026

01/03/2026

Israel e Estados Unidos voltam a atacar Irã: a segunda agressão contra Teerã num intervalo de oito meses parece visar não apenas a troca de regime no Irã, mas também conter a influência chinesa na região, consolidando a posição política e militar de Israel no Oriente Médio. Muitos acreditam que o objetivo real é instalar um governo alinhado aos interesses americanos. Mas, o que está por trás desta complexa trama geopolítica?

Especialistas em geopolítica e relações internacionais ouvidos pela Agência Brasil questionam as razões alegadas pelos EUA e Israel para o recente ataque ao Irã. Oficialmente, os países afirmam tratar-se de uma "ação preventiva" contra a ameaça iraniana de construir uma bomba atômica. No entanto, essa justificativa não convence todos os analistas. Afinal, por que exatamente agora o confronto se intensifica?

Derrubar Irã busca deter China e projetar Israel, dizem analistas

Qual é a verdadeira motivação por trás dos ataques?

Rashmi Singh, especialista em relações internacionais da PUC Minas, explica que tanto os EUA como Israel veem o Irã como enfraquecido neste momento, o que lhes oferece uma janela estratégica para tentar instalar um governo mais submisso em Teerã. Ela ressalta: "Os ataques ocorrem justamente quando estávamos prestes a alcançar o progresso nas negociações diplomáticas". Parece que a paz estava mais próxima do que nunca, mas a agressão tomou lugar, levantando uma questão pertinente: quem realmente está em busca de guerra?

O que a China tem a ver com o conflito?

Robson Valdez, professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), destaca que o objetivo desse confronto vai além da contenção nuclear. "A questão envolve, principalmente, a luta pelo poder econômico e político no Oriente Médio". Com o Irã sendo um importante fornecedor de petróleo para a China, o conflito ameaça diretamente a sua maior importadora. Manter o Irã sob pressão poderia também enfraquecer os projetos de infraestrutura da China na Ásia Central.

Derrubar Irã busca deter China e projetar Israel, dizem analistas

Há uma estratégia israelense em jogo?

Mohammed Nadir, especialista em Oriente Médio da UFABC, destaca que a verdadeira intenção é impedir qualquer ascensão de uma potência regional que possa desafiar a supremacia israelense. "Esta não é apenas uma guerra americana, mas sim uma guerra que serve aos interesses de Benjamin Netanyahu para fortificar sua liderança interna", afirma Nadir, mencionando que Israel deseja manter sua hegemonia incontestável na região.

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Qual é o papel do programa nuclear iraniano nesta disputa?

Roberto Goulart Menezes, professor da UnB, reitera que o programa nuclear é frequentemente utilizado como um pretexto para as hostilidades. "O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e coopera com as inspeções internacionais. No entanto, a real questão gira em torno da política agressiva, ou imperialista, dos EUA na região", finaliza Menezes.

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Contexto histórico: por que EUA e Irã não se entendem?

As tensões começaram após a revolução que derrubou o governo pró-americano em 1979 no Irã. Desde então, sanções econômicas e embargos visam enfraquecer a economia iraniana. A questão nuclear serve como mais um elemento inflamatório nesse cenário de hostilidades históricas.

O cenário no Oriente Médio permanece complexo e desafiador, com interesses globais e regionais entrelaçados em um conflito que, ao que tudo indica, está longe de ser resolvido.



Com informações da Agência Brasil

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