Os recentes conflitos no Oriente Médio trouxeram à tona uma série de questões complexas sobre a intervenção norte-americana no Irã. Em meio a esse turbilhão, você verá como a legitimidade dessa ação é crucial não apenas para a geopolítica global, mas também para as eleições internas nos Estados Unidos, marcadas para o final do ano. Especialistas em Relações Internacionais ajudam a decifrar esse cenário intricado.
Na semana passada, os Estados Unidos e seus aliados iniciaram ataques contra o Irã. Isso desencadeou uma série de debates sobre a falta de "legitimidade internacional" dessas ações, conforme destaca Roberto Goulart Menezes, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Ao contrário das intervenções no Iraque (2003) e na Líbia (2011), desta vez, não há apoio do Conselho de Segurança da ONU ou do Congresso dos Estados Unidos.
A ausência de apoio internacional é sustentável?
A política externa dos EUA no Oriente Médio parece estar operando sob uma "dominação aberta". Isso é observado pelo professor Menezes, que critica a atuação unilateral e os objetivos obscuros dos norte-americanos. "A administração de Trump só escuta a sua própria voz", afirma ele.
"Trump, nas coletivas que tem dado desde sábado, oscila. Diz: olha, foi um ataque, cumprimos nosso objetivo. Aí o secretário da defesa repete isso. Não, agora se preciso vamos enviar tropa. Não, não estamos avaliando enviar tropa. Queremos mudar o regime, não queremos mudar o regime. Então mostra que os Estados Unidos estão pura e simplesmente exercendo a dominação, e não a hegemonia".
Quais são os desafios internos para Trump?
Internamente, o cenário não está favorável para Trump. Sondagens mostram que apenas um em cada quatro norte-americanos apoia a operação contra o Irã. Além disso, à medida que o número de baixas aumenta, a oposição interna também tende a crescer, o que leva os EUA a alertarem seus cidadãos a evacuarem a região.
"Na medida em que vão aumentando os números de mortos, de caixões chegando aos Estados Unidos, a pressão também tende a aumentar" afirma o especialista.
Como as eleições legislativas moldam a política externa?
Marianna Albuquerque, professora do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ, avalia que uma intervenção seria contrária à promessa de campanha de Trump de não iniciar novas guerras. Ela destaca que, com as eleições de meio de mandato se aproximando, há uma urgente necessidade política de alcançar uma "vitória rápida" para ser capitalizada nas urnas.
"Trump vai ter, no fim de ano, as eleições legislativas, o que pode ou não significar algumas mudanças para o comando dos republicanos, e, com isso, seria importante que ele tivesse algumas respostas rápidas nessa crise do Oriente Médio para que isso fosse uma vitória a ser vendida nas eleições, e não um passivo que seja empurrado até lá".
O que impulsiona a ala pró-guerra nos EUA?
Dentro do Partido Republicano, a intervenção no Irã é vista por muitos como a única forma de controlar um programa nuclear iraniano opaco. "O argumento principal foi a falta de transparência sobre o programa nuclear iraniano [...] que os Estados Unidos defendem há mais de uma década como um dos motivos para intervir por lá", lembra a professora. Além disso, ela acrescenta que Israel desempenha um papel crucial como um dos poucos aliados que tentam legitimar essa intervenção.
Acompanhe a cobertura do ataque ao Irã na Radioagência Nacional 🎙️.
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Com informações da Agência Brasil