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Mundo

Europa apoia guerra dos EUA e Israel contra Irã; Espanha diverge

O intrigante cenário internacional envolvendo a delicada questão do Oriente Médio ganha contornos ainda mais complexos com as recentes atitudes dos principais países europeus frente ao conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã. Com exceção notória da Es

05/03/2026

05/03/2026

O intrigante cenário internacional envolvendo a delicada questão do Oriente Médio ganha contornos ainda mais complexos com as recentes atitudes dos principais países europeus frente ao conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã. Com exceção notória da Espanha, as nações do velho continente optaram por uma postura de apoio político e até mesmo militar em favor de Israel e dos EUA, atribuindo ao Irã a responsabilidade pela deflagração do conflito em uma tentativa de justificar a guerra.

O Reino Unido, a França e a Alemanha não só evitaram condenar os ataques contra Teerã, que violam o direito internacional, como também exigiram que o Irã aceitasse as condições impostas por EUA e Israel. Tal situação traz à tona importantes questões sobre a legalidade e a moralidade das ações internacionais. Enquanto isso, a Espanha adotou uma postura firme de crítica aos ataques, desviando-se de seus parceiros europeus.

Por que o direito internacional está em jogo?

O direito internacional, que permite o uso da força apenas com autorização do Conselho de Segurança da ONU, parece ser posto à prova diante das ações das potências europeias. Reino Unido, França e Alemanha não só não convocaram reuniões na ONU para discutir os ataques como também foram fervorosos em sua demanda para que o Irã cessasse os "ataques imprudentes". Londres, inclusive, condenou as retaliações iranianas, enquanto oferecia suporte logístico às operações americanas no Oriente Médio.

Com Emmanuel Macron prometendo expandir o arsenal nuclear francês enquanto critica o programa nuclear pacífico iraniano, e com a Alemanha se alinhando fortemente à posição americana, a balança de poder e diplomacia global parece ameaçada por interesse próprios e alianças históricas.

Qual é a posição de Portugal e da Itália?

Portugal e Itália também entraram no jogo, cada um à sua maneira. Enquanto os portugueses autorizam o uso de suas bases militares nos Açores pelos EUA, destacando não estarem envolvidos nos ataques diretos, os italianos não condenam as agressões, mas criticam as represálias do Irã. A solidariedade à população civil iraniana também foi uma marcante declaração do governo italiano.

Neste clima tenso, a União Europeia busca, segundo especialistas como Chico Teixeira da UFRJ, barganhar uma posição favorável junto aos EUA, mostrando-se como aliados valiosos para manter a estabilidade regional e evitar movimentações mais drásticas por parte de Washington quanto à Groenlândia ou à OTAN.

A crítica silenciosa da Espanha: um "não à guerra"?

Divergindo de seus pares, a Espanha, sob o governo de Pedro Sánchez, escolheu criticar abertamente a postura bélica de Trump e Netanyahu, em defesa da paz e do respeito ao direito internacional. Este posicionamento fez com que o país ibérico ficasse no centro da atenção e tensão, gerando atritos temporários com os EUA até que um entendimento foi alcançado.

A visão de Francisco Carlos Teixeira da Silva, da UFRJ, destaca que o risco deste alinhamento europeu com ações "ilegais" mina a legitimidade internacional, transformando negociações bilaterais e regionais em simples jogos de poder onde a ética é colocada de lado em prol da influência e da força.



Com informações da Agência Brasil

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