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EUA diz que pode "agir sozinho" em países latinos-americanos

No cenário internacional atual, as tensões estão altas na América Latina. Enquanto os Estados Unidos continuam suas ações no Irã, um novo foco de atenção emergiu mais próximo de casa. O governo dos EUA anunciou um acordo com 16 países latino-americanos pa

06/03/2026

06/03/2026

No cenário internacional atual, as tensões estão altas na América Latina. Enquanto os Estados Unidos continuam suas ações no Irã, um novo foco de atenção emergiu mais próximo de casa. O governo dos EUA anunciou um acordo com 16 países latino-americanos para combater cartéis, ameaçando agir unilateralmente se considerar necessário. Essa movimentação complexa levanta questões sobre a soberania das nações latinas e suas implicações para a geopolítica regional.

No último dia 5, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, liderou a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis em Doral, Flórida. Com a presença de 16 países do continente, a reunião buscou uma cooperação para o problema dos cartéis. Contudo, a postura dos EUA de intervir "sozinhos" na América Latina levanta um debate acalorado sobre a violação de soberania.

Por que a atuação dos EUA é vista como uma ameaça?

A fala de Hegseth gerou grande repercussão. Ronaldo Carmona, professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra, caracterizou a declaração como uma "ameaça gravíssima". Historicamente, sob a administração Trump, palavras duras têm se tornado ações incisivas, como as vistas na Venezuela e no Irã. A evocação da Doutrina Monroe acende um alerta na América Latina, sugerindo uma tentativa de banir potências externas, restringindo a liberdade de ação das nações locais.

O combate aos cartéis é realmente a prioridade?

Para muitos analistas, a justificativa de combate aos cartéis de drogas é vista de forma cética. Carmona observa que os EUA parecem "latino-americanizar" a questão das drogas para legitimar intervenções. Ele afirma: "É difícil imaginar que a segurança americana não tenha capacidade de proteger suas próprias fronteiras." No caso da Venezuela, o discurso antidrogas logo deu lugar a questões comerciais, principalmente no setor petrolífero.

Quais foram os resultados da Conferência no Comando Sul?

Realizada na sede do Comando Sul dos EUA, a conferência reuniu representantes de diversos países das Américas Central e do Sul. Entre as deliberações, acordos bilaterais foram firmados com os EUA, segundo o Ministério da Defesa da Argentina, embora uma declaração conjunta não tenha sido divulgada. O contexto traz à tona questionamentos sobre a autonomia dos países latinos em suas estratégias de combate ao narcotráfico e as intenções estratégicas americanas.

Qual a postura do Brasil e do México diante dessa situação?

Governos de México e Brasil sustentam que o combate aos cartéis deve respeitar a soberania nacional. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, enfatiza a necessidade de coordenação "sem subordinação". Já o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, incluiu o combate ao narcotráfico entre pautas com os EUA, mas mantendo atividades policiais distintas da defesa territorial.

Como outros países latinos estão reagindo?

No Equador e Paraguai, a relação com os EUA tem se intensificado sob o argumento de combate ao narcotráfico. O Paraguai, por exemplo, aprovou acordos para presença de militares dos EUA em seu território. Em novembro de 2025, o Equador rejeitou em referendo a instalação de bases militares estrangeiras. Parte significativa da população equatoriana se opôs à medida, refletindo a resistência interna a interferências externas nas políticas nacionais.

Nesse tabuleiro de xadrez geopolítico, a fala de autoridades latino-americanas pontua o desejo de cooperação por alternativas de paz e desenvolvimento, distante de imposições externas que possam comprometer a autonomia regional.

EUA diz que pode "agir sozinho" em países latinos-americanos
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fala à imprensa na 19° Reunião de Cúpula do G20, no Museu de Arte Moderna. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil



Com informações da Agência Brasil

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