No cenário internacional atual, as tensões estão altas na América Latina. Enquanto os Estados Unidos continuam suas ações no Irã, um novo foco de atenção emergiu mais próximo de casa. O governo dos EUA anunciou um acordo com 16 países latino-americanos para combater cartéis, ameaçando agir unilateralmente se considerar necessário. Essa movimentação complexa levanta questões sobre a soberania das nações latinas e suas implicações para a geopolítica regional.
No último dia 5, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, liderou a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis em Doral, Flórida. Com a presença de 16 países do continente, a reunião buscou uma cooperação para o problema dos cartéis. Contudo, a postura dos EUA de intervir "sozinhos" na América Latina levanta um debate acalorado sobre a violação de soberania.
Por que a atuação dos EUA é vista como uma ameaça?
A fala de Hegseth gerou grande repercussão. Ronaldo Carmona, professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra, caracterizou a declaração como uma "ameaça gravíssima". Historicamente, sob a administração Trump, palavras duras têm se tornado ações incisivas, como as vistas na Venezuela e no Irã. A evocação da Doutrina Monroe acende um alerta na América Latina, sugerindo uma tentativa de banir potências externas, restringindo a liberdade de ação das nações locais.
O combate aos cartéis é realmente a prioridade?
Para muitos analistas, a justificativa de combate aos cartéis de drogas é vista de forma cética. Carmona observa que os EUA parecem "latino-americanizar" a questão das drogas para legitimar intervenções. Ele afirma: "É difícil imaginar que a segurança americana não tenha capacidade de proteger suas próprias fronteiras." No caso da Venezuela, o discurso antidrogas logo deu lugar a questões comerciais, principalmente no setor petrolífero.
Quais foram os resultados da Conferência no Comando Sul?
Realizada na sede do Comando Sul dos EUA, a conferência reuniu representantes de diversos países das Américas Central e do Sul. Entre as deliberações, acordos bilaterais foram firmados com os EUA, segundo o Ministério da Defesa da Argentina, embora uma declaração conjunta não tenha sido divulgada. O contexto traz à tona questionamentos sobre a autonomia dos países latinos em suas estratégias de combate ao narcotráfico e as intenções estratégicas americanas.
Qual a postura do Brasil e do México diante dessa situação?
Governos de México e Brasil sustentam que o combate aos cartéis deve respeitar a soberania nacional. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, enfatiza a necessidade de coordenação "sem subordinação". Já o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, incluiu o combate ao narcotráfico entre pautas com os EUA, mas mantendo atividades policiais distintas da defesa territorial.
Como outros países latinos estão reagindo?
No Equador e Paraguai, a relação com os EUA tem se intensificado sob o argumento de combate ao narcotráfico. O Paraguai, por exemplo, aprovou acordos para presença de militares dos EUA em seu território. Em novembro de 2025, o Equador rejeitou em referendo a instalação de bases militares estrangeiras. Parte significativa da população equatoriana se opôs à medida, refletindo a resistência interna a interferências externas nas políticas nacionais.
Nesse tabuleiro de xadrez geopolítico, a fala de autoridades latino-americanas pontua o desejo de cooperação por alternativas de paz e desenvolvimento, distante de imposições externas que possam comprometer a autonomia regional.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fala à imprensa na 19° Reunião de Cúpula do G20, no Museu de Arte Moderna. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil