A perda muscular progressiva, mais conhecida como sarcopenia, é um dos grandes vilões da terceira idade, impactando diretamente a independência e o bem-estar emocional dos idosos. No Brasil, conforme dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), cerca de 17% da população idosa — o que equivale a aproximadamente 5 milhões de pessoas — já enfrenta esse problema. Além de fragilizar o físico, a sarcopenia abala a autoestima e interfere na convivência social e na realização de tarefas cotidianas simples.
No entanto, envelhecer com saúde e vitalidade é uma possibilidade real. As escolhas que você faz a cada dia, como manter uma boa alimentação e uma rotina de exercícios, são fundamentais para conter os efeitos da sarcopenia. Assim, prestar atenção a esses aspectos pode reduzir significativamente o impacto dessa condição.
A sarcopenia pode ser evitada?
A Dra. Marcela Reges, nutróloga da Afya Educação Médica Goiânia, ressalta que a sarcopenia não precisa ser encarada como um destino inevitável. "O envelhecimento traz mudanças fisiológicas naturais, mas perder massa muscular em excesso não é normal e não é inevitável. A sarcopenia pode e deve ser prevenida ou tratada", explica.
Se você está se perguntando como manter a força e vitalidade com o passar dos anos, a resposta passa por medidas simples: uma alimentação adequada, prática regular de exercícios e acompanhamento médico. E mesmo que os anos passem, a perda muscular pode ser parcialmente revertida se for diagnosticada precocemente, graças a uma combinação de hábitos saudáveis e uma intervenção multiprofissional.
Quais são os sinais de alerta e riscos da sarcopenia?
Conforme a Dra. Karoline Fioreti, geriatra da Afya Educação Médica Vitória, a sarcopenia pode manifestar-se através de sinais como instabilidade ao caminhar, fraqueza, lentidão para se locomover, dificuldade para subir escadas, levantar-se de cadeiras ou carregar objetos. “Esses sintomas aumentam o risco de quedas, além de limitar o convívio social”, alerta a médica.
Para não ser pego de surpresa, o diagnóstico precoce é vital. No entanto, se ignorada, a sarcopenia pode levar ao isolamento, perda de funcionalidade e até depressão. "Quando alguém perde a mobilidade, perde também a possibilidade de participar plenamente da vida em sociedade, o que impacta profundamente a saúde mental". A Dra. Karoline Fioreti reitera a importância da informação e de políticas públicas para interromper esse ciclo.
Não menos importante, a Dra. Marcela Reges enfatiza que a sarcopenia "afeta a vida de milhões, especialmente entre as mulheres, aumentando o risco de quedas, fraturas e dependência." A ampliação do acesso a diagnósticos e programas de conscientização é, portanto, essencial.
Quais cuidados você pode tomar para prevenir a sarcopenia?
Para evitar que o envelhecimento se traduza em perda de vitalidade, alguns cuidados são essenciais:
- Ingestão proteico-calórica adequada: incluir proteínas nas refeições (carnes magras, ovos, peixes, frango, feijão, lentilha, grão-de-bico e laticínios);
- Exercícios de força e resistência: realizar treinos com pesos, elásticos ou utilizando o peso corporal, sempre orientado por um profissional;
- Atividade física regular: atividades como caminhadas, hidroginástica, exercícios aeróbicos e musculação ajudam a manter a massa muscular e a qualidade de vida;
- Avaliação funcional periódica: testes simples de força e equilíbrio podem identificar riscos de quedas;
- Suplementação quando necessária: suplementos como whey protein, creatina e aminoácidos essenciais podem ser necessários em casos de ingestão insuficiente;
- Vitaminas e minerais: manter bons níveis de vitamina D, cálcio e antioxidantes;
- Sono de qualidade: essencial para recuperação e manutenção da massa muscular;
- Controle de doenças crônicas: tratar condições como diabetes e hipertensão que podem acelerar a perda muscular;
- Hidratação adequada: essencial para o metabolismo e função muscular;
- Prevenção de quedas: adaptar o ambiente e usar calçados apropriados;
- Hábitos de vida saudáveis: evitar álcool e cigarro, pois são fatores inflamatórios;
- Estimular a autonomia: incentivar a participação do idoso em atividades diárias e sociais.
Por Pamella Cavalcanti
Redação EdiCase