O Mês Mundial de Combate à Trombose, celebrado em outubro, chama atenção para uma condição silenciosa, mas mortal. Surpreendentemente, a trombose é responsável pela morte de uma a cada quatro pessoas globalmente, segundo a Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH). Mas como essa condição impacta nossa vida diária e o que podemos fazer para preveni-la? Essa leitura vai ajudar você a entender melhor.
No Brasil, os números são alarmantes: o DataSUS apontou 43.008 internações e 1.727 óbitos por trombose, entre outras condições relacionadas, apenas nos primeiros sete meses deste ano. Entender como essa doença atua e quem ela afeta pode fazer toda a diferença na prevenção e no tratamento eficaz.
Qual dor pode indicar trombose?
A história de Arthur Oliveira, um advogado de 39 anos, é um exemplo de alerta. Ele sentiu uma dor persistente na panturrilha, que foi inicialmente confundida como cansaço muscular. No entanto, ao buscar atendimento, descobriu que estava com trombose venosa profunda, evoluindo para tromboembolia pulmonar, um estágio grave da doença.
Arthur ficou surpreso: "Desde criança, sempre mantive uma boa rotina de exercícios e alimentação saudável. Não fumo, não bebo em excesso e malho sete vezes por semana. Não esperava ser internado em uma UTI por causa de uma simples dor na panturrilha".
O que pode aumentar o risco de trombose?
Segundo a hematologista Dra. Monique Morgado, a trombose ocorre quando um coágulo se forma em uma veia ou artéria, interrompendo o fluxo sanguíneo. Diversos fatores podem desencadear a doença, incluindo:
- Histórico familiar ou genético
- Idade avançada
- Sedentarismo
- Obesidade
- Tabagismo
- Uso de certos medicamentos
- Longos períodos de imobilidade (ex.: viagens de avião, pós-cirúrgico)
No caso de Arthur, apesar de sua vida ativa, o diagnóstico revelou uma causa genética: o Fator V de Leiden, uma condição herdada de um dos pais.
Qual o impacto da predisposição genética na trombose?
Dr. Ricardo Di Lazzaro destaca que condições genéticas como a trombofilia, em que o sangue tem tendência de formar coágulos, afetam quase 10% da população. Ele alerta: "Muitos não sabem que possuem essa alteração genética, mas esse conhecimento é essencial para prevenir condições mais graves como a trombose".
Além disso, o geneticista Gustavo Guida explica que a predisposição genética pode aumentar em 3 a 8 vezes o risco de eventos trombóticos quando herdada de um dos pais e muito mais se for de ambos. "Essa predisposição pode levar a episódios precoces, mesmo sem outros fatores de risco", alerta.
Existe tratamento eficaz para trombose?
Segundo a Dra. Monique Morgado, o tratamento para trombose começa com medicamentos trombolíticos para dissolver o coágulo. O cuidado continua com anticoagulantes, meias de compressão e hábitos saudáveis, como hidratação e atividades físicas. "Essa abordagem propicia uma recuperação segura", explica.
Por que entender a predisposição genética é crucial?
Conhecer predisposições genéticas, como no caso de Arthur Oliveira, foi fundamental para o tratamento adequado. Gustavo Guida enfatiza a importância da atenção aos sinais e da consulta a um médico em caso de anormalidades e ressalta: "É crucial discutir a possibilidade de testes genéticos, especialmente com histórico familiar".
Por Rachel Lopes
Redação EdiCase