Quando a malformação de orelha é detectada em um bebê, a primeira reação dos pais pode ser aquela mistura de surpresa e preocupação. Afinal, essa condição congênita, que varia de leves alterações de formato a casos mais severos como a microtia, é algo que logo chama atenção. Mas é importante destacar que, embora visível ao nascimento, nem sempre implica problemas funcionais imediatamente.
Um dos principais pontos de interrogação para as famílias não é tanto sobre a audição ou saúde, mas sim a estética e o impacto social que essa diferença pode trazer com o passar dos anos. Aqui entra a importância de avaliar cada caso considerando aspectos médicos e emocionais, e adequando o tratamento ao momento de vida do paciente.
Como as pesquisas apoiam um cuidado mais cuidadoso?
Estudos científicos oferecem insights valiosos sobre a abordagem correta para o tratamento da malformação de orelha. Uma pesquisa intitulada “A 10-Year Retrospective Review of the Nonsurgical Treatment of Infant Ear Anomalies”, publicada na revista Plastic and Reconstructive Surgery Global Open, revisou casos de 246 pacientes e concluiu que a moldagem precoce da orelha pode ser bem-sucedida em 92% das vezes, especialmente se iniciada nas primeiras semanas de vida.
Esses achados ressaltam a importância não só do diagnóstico precoce e acompanhamento médico, mas também de um robusto apoio psicológico e familiar.
Por que nem toda alteração precisa de cirurgia de imediato?
A Dra. Clarice Abreu, especialista em cirurgia plástica e craniomaxilofacial, com mais de duas décadas de experiência, compartilha uma visão ponderada. Ela observa que muitas crianças com malformações de orelha convivem bem com sua aparência, especialmente quando devem apoio familiar.
A profissional enfatiza uma abordagem equilibrada, onde técnica e humanidade andam de mãos dadas, buscando não só devolver a função, mas também a autoestima e qualidade de vida do paciente.
Quando o desconforto emocional ocorre, o que fazer?
As necessidades de intervenção não são apenas uma questão física. O desconforto emocional associado à percepção estética ganha relevância, conforme explica a Dra. Clarice. Momentos em que a criança sente vergonha ou isolamento, ou até mesmo expressa o desejo de mudança, requerem atenção. "A decisão de operar deve respeitar o tempo e o desejo do paciente, enquanto a família oferece amor e apoio", reforça a especialista.
Quais os caminhos possíveis no tratamento da malformação de orelha?
O tratamento pode ocorrer na infância, quando a cartilagem é mais maleável, ou ser adiado até que o crescimento facial seja concluído, dependendo do caso e dos desejos da criança. Vale lembrar que não é preciso intervir de imediato. Muitas pessoas vivem felizes e confiantes, com ou sem intervenção.
O acompanhamento psicológico é uma peça chave nesse processo, contribuindo para que tanto a criança quanto a família lidem com a identidade de forma serena. A Dra. Clarice reforça que o verdadeiro sucesso do tratamento está na escolha consciente do paciente sobre o próprio caminho e no apoio constante que recebe.
Por Eluan Carlos Hoffmann
Redação EdiCase