Buscar o corpo ideal é uma realidade cada vez mais presente no cotidiano de muitos brasileiros. Em 2026, um levantamento do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, revelou que oito em cada dez brasileiros pretendem melhorar sua aparência. Mas, em meio à pressão por alcançar padrões estéticos cada vez mais distantes, como ficar com a saúde mental?
Dinâmicas das redes sociais, mudanças constantes nos padrões de beleza e soluções rápidas como as canetas emagrecedoras intensificam essa pressão. Em muitos casos, isso deixa a saúde mental em segundo plano, pois a busca pela aparência física idealizada assume o controle, impactando significativamente a autoestima e a identidade das pessoas.
Como a pressão estética afeta sua saúde mental?
Andressa Alves Oliveira, psicóloga da AmorSaúde, destaca que a saúde mental sofre quando a autoestima depende unicamente do corpo "ideal". O desejo por magreza, sempre valorizado, acaba fragilizando a saúde mental, especialmente das mulheres, levantando a necessidade de reavaliar prioridades para incluir o bem-estar emocional.
Quando a meta estética é inatingível de forma saudável, a busca por métodos extremos cresce. "A saúde mental é tão importante quanto a física, mas muitas vezes é negligenciada na busca por padrões corporais", explica Oliveira. Na tentativa de se moldar a padrões externos, as pessoas podem esquecer de cuidar da mente, essencial para o verdadeiro bem-estar.
Quando saber que a relação com seu corpo não é saudável?
Identificar comportamentos é crucial para entender se a relação com o corpo está prejudicada. Fique alerta para sinais como:
- Choro recorrente;
- Culpa após comer;
- Dietas extremas sem orientação profissional;
- Frustração persistente com o peso;
- Ansiedade elevada;
- Episódios de compulsão alimentar.
Por que as redes sociais prometem resultados rápidos?
As redes sociais contribuem significativamente para essa busca frenética. "Vemos corpos perfeitos, vidas imaculadas, mas será que tudo é real? As redes intensificam padrões inalcançáveis", alerta Oliveira. Com a popularização das canetas emagrecedoras, a procura por soluções rápidas sem reflexão sobre suas consequências emocionais se torna comum, aprofundando a dependência desses métodos.
Qual o risco de emagrecer sem cuidar da mente?
Segundo Oliveira, superar desafios corporais sem saúde mental e acompanhamento profissional não é viável. "Refletir sobre a relação com a comida é crucial para entender frustrações e o efeito sanfona”, ressalta. Estudos indicam que parar o uso de medicações para emagrecimento sem alterar hábitos aumenta a velocidade de recuperação do peso. A pesquisa da Universidade de Oxford publicada no BMJ mostrou que quem desiste desses medicamentos rapidamente pode engordar até quatro vezes mais rápido.
Como adotar hábitos saudáveis e melhorar seu bem-estar?
O caminho para uma relação saudável com o corpo começa com o cuidado emocional. "A terapia é fundamental. A mente e o corpo estão interligados e, quando um está abalado, o outro sofre", destaca Oliveira. Além disso, ela incentiva práticas saudáveis, como:
- Exercícios físicos regularmente;
- Hábitos de sono adequados;
- Alimentação balanceada;
- Autoconhecimento para compreender suas necessidades;
- Autocuidado para nutrir o amor-próprio.
Por Nayara Campos
Redação EdiCase