O diagnóstico de câncer traz à tona não apenas desafios físicos, mas também um aspecto crucial muitas vezes negligenciado: o impacto emocional que a doença provoca. Esse tema adquire ainda mais importância no Dia Mundial do Câncer, celebrado no dia 4 de fevereiro. A ansiedade e a depressão são reações comuns entre os pacientes, e reconhecer esses sentimentos pode ser o primeiro passo para enfrentá-los.
De acordo com um estudo publicado pela Frontiers, até 45% dos pacientes com câncer relatam níveis elevados de ansiedade, e 25% apresentam sintomas de depressão. O diagnóstico acaba impactando não apenas os pacientes, mas também familiares e cuidadores, alterando profundamente suas rotinas e relacionamentos. Você já parou para pensar como um acompanhamento psicológico poderia transformar essa experiência?
Por que o câncer desafia tanto a saúde emocional?
A psicóloga Mariana Ramos, professora da Afya Centro Universitário Itaperuna, enfatiza que o apoio emocional deve ser um aliado constante do tratamento médico. "O câncer não apenas compromete o corpo físico, mas também afeta a identidade e a maneira como a pessoa se vê no mundo", explica. Ao receber o diagnóstico, o paciente passa por uma transformação emocional significativa, enxergando o corpo como um lugar de medo e incerteza. Reações como ansiedade e tristeza são naturais e precisam ser acolhidas sem julgamento.
Sera que a terapia pode mesmo fazer diferença?
Sim, sem dúvida! Mariana destaca que o acompanhamento psicológico é um componente vital do tratamento do câncer. Esse ambiente seguro oferece ao paciente a liberdade de explorar seus medos, angústias, raivas e incertezas, longe da pressão de demonstrar força o tempo todo. O suporte emocional adequado ajuda a diminuir sintomas de ansiedade e depressão, tornando o tratamento médico mais eficaz e melhorando a qualidade de vida.
Como você pode manter a saúde mental durante o tratamento de câncer?
A psicóloga Mariana Ramos oferece algumas dicas fundamentais para enfrentar essa fase desafiadora:
- Permita-se sentir: emoções como tristeza, medo e insegurança são parte natural do processo.
- Busque apoio profissional: a orientação psicológica pode ajudar a trabalhar sentimentos e mitigar o desconforto emocional.
- Mantenha vínculos: conversas com pessoas de confiança ajudam a evitar o isolamento emocional.
- Respeite seus limites: o descanso, as pausas e o autocuidado são necessidades, não luxos.
- Cultive pequenas rotinas de bem-estar: atividades simples, como caminhar ou ouvir música, podem estabilizar as emoções.
- Evite comparações: cada experiência é única; respeite seu próprio tempo e processo emocional.
- Permita-se pedir ajuda: contar com apoio não é sinal de fraqueza, mas uma forma de cuidado.
- Reconheça a conexão entre saúde mental e física: o cuidado com as emoções influencia diretamente seu bem-estar físico.
Assim como destacou Mariana, "não sabemos o tamanho do nosso potencial até que a vida nos desafie." Portanto, buscar apoio não é sinal de fraqueza, mas de coragem e responsabilidade com sua saúde emocional. Afinal, o câncer pode impactar seu corpo, mas cuidar da mente pode ser a chave para uma jornada mais digna e humana.
Redação EdiCase