No mês de fevereiro, a notícia do falecimento de Brad Arnold, vocalista da banda americana 3 Doors Down, trouxe à tona questões importantes sobre um tipo de câncer ainda pouco conhecido entre muitos: o carcinoma renal de células claras. Arnold, que faleceu devido à evolução da doença para o estágio 4 com metástase nos pulmões, destacou a necessidade de atenção a esse tipo de câncer, que frequentemente é descoberto de forma silenciosa e somente em estágios avançados.
O carcinoma renal de células claras é o tipo mais comum de câncer nos rins, responsável por cerca de 80% dos diagnósticos de tumores malignos renais. Ele se origina nas células dos túbulos renais, responsáveis por filtrar o sangue. Ao microscópio, essas células tumorais se destacam por sua aparência mais translúcida. "Essa característica é o que dá nome à doença", explica o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello, do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Como identificar o perigo?
Segundo o Dr. Mello, um dos maiores desafios do carcinoma renal de células claras é sua capacidade de evoluir sem sintomas claros nas fases iniciais. "Pode crescer por anos de forma imperceptível. Quando os sintomas aparecem, geralmente em estágios avançados, incluem sangue na urina, dor persistente na área lombar, perda de peso inexplicável, fadiga intensa e, por vezes, uma massa visível no abdômen", ele alerta.
Quais são os fatores de risco?
Dr. Mello destaca diversos fatores de risco para o desenvolvimento da doença, como tabagismo, obesidade, hipertensão descontrolada, histórico familiar de câncer renal, exposição a certas substâncias químicas e doenças renais crônicas. Além disso, a idade é uma variável importante, uma vez que a maioria dos diagnósticos ocorre em pessoas acima de 50 anos, sendo mais prevalente em homens.
Como é feito o diagnóstico?
A identificação do carcinoma renal de células claras geralmente é realizada através de exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética, que ajudam a localizar nódulos ou massas nos rins. "Muitas vezes, o tumor é detectado incidentalmente, em exames solicitados por outras razões", comenta o Dr. Mello.
Qual é o tratamento recomendado?
O tratamento depende do estágio do câncer. Em estágios iniciais, onde o tumor está isolado no rim, a cirurgia pode ser uma opção para a remoção parcial ou total do rim afetado. Em casos avançados, o tratamento pode incluir terapias-alvo e imunoterapia. "Existem atualmente medicamentos imunoterápicos bastante eficazes no tratamento do carcinoma renal de células claras", destaca Dr. Mello.
Por que o diagnóstico precoce é essencial?
O diagnóstico precoce é crucial. Quando a doença é descoberta em estágios iniciais, as chances de cura aumentam significativamente. "Quando há metástases, o foco do tratamento passa a ser controlar o tumor e melhorar a qualidade de vida do paciente", afirma Dr. Mello, reforçando a importância da conscientização sobre a doença.
Por Maria Claudia Amoroso
Redação EdiCase