Você já se pegou sentindo uma leve dor no punho após um longo dia de trabalho no computador? Ou uma sensação de formigamento nos dedos ao final do expediente? Esses pequenos incômodos, aparentemente inofensivos, muitas vezes são os primeiros sinais de algo maior. Com o tempo, o desconforto persiste, intensifica-se e pode tornar tarefas simples em verdadeiros desafios diários. Muitos acabam ignorando até que o corpo define o limite, e é exatamente assim que condições como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) se manifestam.
Essas lesões surgem da repetição contínua de movimentos, postura inadequada e sobrecargas físicas, e são uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil atualmente. Mas como saber se você está em risco? E como evitar que se tornem um problema maior?
Quais são as doenças mais comuns relacionadas às LER/DORT?
As LER/DORT são compostas por uma série de síndromes que afetam músculos, nervos e tendões, principalmente nos membros superiores e na coluna vertebral. Embora "LER" ainda seja amplamente usado, o termo "DORT" é mais abrangente, pois considera não apenas movimentos repetitivos, mas também posturas inadequadas prolongadas e esforços excessivos. Entre as doenças mais frequentes estão:
- Tendinites: Inflamações nos tendões, comuns em ombros, cotovelos, punhos e mãos.
- Síndrome do túnel do carpo: Compressão de um nervo no punho, causando dor e dormência.
- Bursites: Inflamações das bursas, afetando principalmente os ombros.
- Cervicalgias e lombalgias: Dores que impactam os músculos da coluna cervical e lombar.
Quais profissões são mais propensas a desenvolver lesões ocupacionais?
Segundo dados do Ministério da Saúde de 2025, a prevalência dessas doenças é alta em setores como a indústria calçadista, teleatendimento e linhas de produção. As notificações indicam que homens, na faixa etária dos 35 aos 54 anos, são os mais afetados, destacando-se dores crônicas, síndrome do túnel do carpo e tendinites. A região Sudeste é onde há maior concentração desses casos.
José Luís Zabeu, ortopedista do Vera Cruz Hospital, ressalta: "Profissões que sobrecarregam o sistema musculoesquelético continuamente, como digitadores, operadores de caixa e costureiros, são altamente afetadas".
Como é feito o diagnóstico das LER/DORT?
O diagnóstico dessas lesões é principalmente clínico, baseando-se na história ocupacional do paciente e em exames físicos. Ferramentas de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, podem auxiliar na exclusão de outras possíveis condições, mas não são suficientes para qualificar isoladamente a patologia.
Como o tratamento multidisciplinar e a ergonomia ajudam?
O tratamento das LER/DORT envolve várias abordagens, incluindo controle da dor através de medicação, fisioterapia, reabilitação funcional, fortalecimento muscular, e mudanças no ambiente de trabalho. Ajustes ergonômicos são cruciais, garantindo que mobiliários, equipamentos e organização de tarefas não causem sobrecarga. "Mudanças são essenciais para evitar a recidiva e agravamento das condições, podendo levar a casos extremos como aposentadoria por invalidez", alerta Zabeu.
Atividades e hábitos fora do trabalho, como postura inadequada em casa, uso excessivo de smartphones, sedentarismo e estresse, também influenciam o surgimento das lesões.
Quais mudanças diárias podem prevenir essas lesões?
Zabeu sugere que pequenas alterações podem ter grandes impactos. Dicas incluem posicionar o monitor na altura dos olhos, manter cotovelos e pés apoiados, fazer pausas de 5 a 10 minutos por hora e evitar o uso do celular durante essas pausas. "Alongamentos e ginástica laboral são ótimos aliados", reforça, já que ajudam na recuperação muscular e na prevenção de lesões.
Além disso, o intenso uso de dispositivos eletrônicos, especialmente celulares, aumenta os casos dessas lesões. "Manter o aparelho na altura dos olhos e priorizar o computador para tarefas longas são medidas essenciais", finaliza.
Por Aline Telles
Redação EdiCase