Sabe aquela sensação de que sua mente está sempre cansada, você não consegue se concentrar e parece que está sempre correndo contra o tempo? Essa é uma realidade cada vez mais comum, e a explicação pode estar no número de horas que passamos conectados. Hoje em dia, a exposição contínua a telas, notificações e redes sociais estimula o cérebro de uma maneira intensa e fragmentada.
De acordo com a pesquisa Consumer Pulse da Bain & Company, os brasileiros passam mais de nove horas por dia em frente às telas. Deste tempo, aproximadamente quatro horas são dedicadas exclusivamente às redes sociais. Esse dado já é alarmante, mas outro ponto da pesquisa destaca que 28% das pessoas gostariam de reduzir o tempo gasto em redes e streaming.
Como o excesso de estímulos afeta seu cérebro?
Você já se perguntou por que sua mente parece que nunca desliga? Cada notificação, vídeo curto ou rolagem infinita que você faz gera micropicos de dopamina no cérebro. Essa dopamina não traz satisfação duradoura, mas perpetua um comportamento repetitivo e automático. É por isso que sentimos a atenção fragmentada, a ansiedade aumenta e surge uma sensação de urgência constante.
A psicóloga e hipnoterapeuta Brunna Dolgosky explica que o uso excessivo do celular mantém os circuitos de recompensa sempre ativos, enfraquecendo a capacidade de estar presente e prejudicando a autorregulação emocional. Isso pode levar à dificuldade de concentração, irritabilidade e aquela constante sensação de uma mente acelerada.
Quais técnicas simples ajudam seu cérebro a desacelerar?
Segundo Brunna Dolgosky, não é preciso fazer mudanças radicais para desacelerar o cérebro. Pequenos ajustes diários podem retirar o sistema nervoso do estado de hiperativação. Vamos descobrir quais são esses ajustes?
1. Como identificar que sua mente está sobrecarregada?
É crucial reconhecer quando sua mente já está sobrecarregada. Se você não consegue realizar tarefas simples sem checar o celular, sente ansiedade ao ficar sem ele, usa o telefone automaticamente quando está cansado, frustrado ou se sentindo só, então seu sistema nervoso pode estar em hiperatividade. Esses são sinais claros de que você precisa recuperar o foco e o silêncio.
2. Como usar a respiração para ativar o "freio" do cérebro?
A respiração é uma ferramenta eficaz para transmitir segurança ao cérebro. Exercícios respiratórios com ênfase na expiração mais longa que a inspiração ativam o sistema parassimpático, funcionando como um freio fisiológico para a mente. Isso faz com que o corpo entenda que não está em estado de alerta, ajudando a desacelerar a atividade cerebral.
3. Por que fazer pausas sem estímulos é importante?
As pausas diárias foram absorvidas pelas telas, mas é importante criar momentos sem estímulos para autorregulação. Inicialmente, isso pode causar desconforto, mas aos poucos promove presença e clareza mental. Tente passar um tempo na fila ou no elevador sem checar o telefone e perceba a diferença.
4. Como definir horários para o uso do celular?
Momentos de transição como acordar, antes de dormir ou após as refeições são pontos de gatilho para o uso automático do celular. Evitar o uso nesses períodos ajuda a quebrar o condicionamento comportamental, proporcionando uma escolha consciente e não automática do uso do dispositivo.
5. Como a monotarefa pode fortalecer a atenção plena?
Fazer uma coisa de cada vez com total presença pode ter efeitos profundos no cérebro. Atividades simples, como comer sem telas ou caminhar observando o ambiente, ajudam a reforçar os circuitos neurais ligados à atenção plena. Isso faz com que o córtex pré-frontal assuma o controle e acalme a mente naturalmente.
6. De que forma o corpo pode ser um aliado contra a hiperestimulação digital?
Junto com técnicas mentais, o corpo também pode atuar como um regulador da atenção. Atividades físicas longe do celular, especialmente aquelas que exigem coordenação e consciência corporal, ajudam o cérebro a sair do modo disperso, como lutas, pilates e yoga. Elas requerem presença total e ajudam a integrar movimento, respiração e foco.
7. Qual exercício rápido pode recuperar a calma?
Brunna Dolgosky recomenda o ancoramento respiratório. Sente-se, feche os olhos, e faça três respirações lentas, focando na sensação do ar entrando e saindo do nariz, o peso do corpo na cadeira, a temperatura da pele e o contato dos pés com o chão. Este exercício ajuda a atividade cerebral a entrar em um estado de maior coerência e presença.
No final das contas, reduzir o tempo na frente da tela não é sobre privação, mas sobre recuperar a presença em sua própria vida.
Por Maria Fernanda
Redação EdiCase