O crescimento dos gastos obrigatórios, especialmente aqueles relacionados à Previdência Social e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), pressionou bastante as contas do Governo Central em 2025. O resultado? Um déficit primário de R$ 61,69 bilhões, equivalente a 0,48% do nosso Produto Interno Bruto (PIB). Essa informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional nesta última quinta-feira (29), junto com o resultado de dezembro, que apontou um superávit primário de R$ 22,1 bilhões. Mas o que representa esse déficit e como isso afeta a economia do país? Vamos entender ao longo deste artigo.
O desempenho fiscal do governo em 2025 reflete um quadro de desafios e superações, e, mesmo com o aumento do déficit em relação a 2024, o resultado anual ficou melhor que o esperado. As instituições financeiras, por meio da pesquisa Prisma Fiscal, haviam projetado um saldo negativo ainda maior. Então, como o governo conseguiu equilibrar um pouco as contas?
Por que 2025 terminou com déficit primário?
O déficit primário é basicamente a diferença entre tudo o que o governo arrecada e os gastos totais, sem contar os juros da dívida pública. Em 2025, tivemos um aumento desse déficit, crescendo 32,3% em termos reais se comparado a 2024. Isso foi resultado de gastos expressivos com a previdência social e o BPC, além dos efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul no ano anterior.
Por outro lado, o governo conseguiu alcançar um superávit de R$ 255,5 bilhões com o Tesouro Nacional e o Banco Central, mas isso não foi suficiente para cobrir o déficit de R$ 317,2 bilhões na Previdência Social. O que significa que o aumento do déficit primário foi inevitável, especialmente com o avanço de 3,4% (R$ 79,1 bilhões) nas despesas, que superou o incremento de 2,8% (R$ 64,3 bilhões) nas receitas líquidas totais.
A meta fiscal foi atingida?
Para 2025, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o novo arcabouço fiscal fixaram uma meta de déficit primário zero, com uma margem de tolerância de 0,25% do PIB. Contudo, observou-se que o déficit ficou em R$ 13 bilhões (0,1% do PIB) se considerarmos os gastos dentro desse arcabouço fiscal. Valores como R$ 48,68 bilhões de compensações autorizadas não foram contabilizados na meta.
Quais foram as principais receitas de 2025?
No ano de 2025, o Brasil teve arrecadação recorde, o que ajudou a controlar o déficit. Os principais motores dessa arrecadação foram:
- R$ 43,56 bilhões de aumento no imposto de renda, principalmente de rendimentos do trabalho e capital, além de aumento na alíquota da Pessoa Física.
- R$ 15,4 bilhões a mais de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), resultado das operações de câmbio.
- R$ 13,7 bilhões em outras receitas, especialmente com a participação em loterias.
- R$ 37 bilhões com a arrecadação previdenciária, devido ao dinamismo do mercado e crescimento do Simples Nacional.
- R$ 14,8 bilhões resultantes da exploração de recursos naturais, principalmente no pré-sal.
Entretanto, a receita com dividendos e participações caiu R$ 26,3 bilhões, influenciada pela diminuição nos repasses da Petrobras e do BNDES.
Onde as despesas aumentaram?
As despesas mais significativas foram:
- R$ 41,4 bilhões em benefícios previdenciários.
- R$ 10,8 bilhões no BPC, ambos impactados pelo número de beneficiários e pelo reajuste do salário mínimo.
- R$ 16,9 bilhões gastos com pessoal e encargos sociais, devido aos reajustes de servidores públicos.
- R$ 10 bilhões na complementação ao Fundeb.
- R$ 11,9 bilhões com despesas discricionárias.
Em compensação, tivemos uma queda de R$ 20,7 bilhões nos gastos extraordinários, graças à ausência de situações de calamidade, como as do Rio Grande do Sul em 2024.

Com informações da Agência Brasil